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seca - doc
 
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sr, Rio de Janeiro (RJ) · 31/7/2009 · 88 votos · 13
C J Veloso e  http://www.jaicos.kit.net/fotos.html
imagem do site http://www.jaicos.kit.net/fotos.html - Fonte: C J Veloso
seca

sonia regina



um deus do tempo dissolvido em opacidades nos expulsa
das casas quando o vale tenta exercitar o verde

ao brotar da aurora pessoas caminham pelo leito seco dos rios,
no silêncio da chuva nenhum desafogo para as súplicas vãs.

seres diurnos avançam entre o burburinho das rezas
como se descessem pela claridade.

nada interroga a alvura

são mornos os vestígios da manhã
no canto sem esperança dos pássaros.
as cores despertam empoeiradas,
nenhuma janela se mantém fechada

também nestes dias em que o mato cresce enxuto
como os sonhos dos rochedos que ardem sedentos
eu pertenço à profundidade dos poços que não suplicam,

às águas livres que não dormem jamais.

[a 2ª versão um pouco modificada e com versos curtos]


tags: Rio de Janeiro RJ literatura poeta poesia-brasileira poema poetas-novos


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Autoria:
sonia regina

Ficha Técnica:
O poema seca, de sonia regina, tem 2 versões.

[a primeira versão, com versos longos]

um deus desmanchado em opacidades nos expulsa dos edifícios quando o vale tenta exercitar o verde.
ao brotar da aurora pessoas caminham pelo leito seco dos rios, no silêncio da chuva nenhum desafogo para as súplicas vãs.
seres diurnos avançam entre o burburinho das rezas como se descessem pela claridade.
nada interroga a alvura, são mornos os primeiros vestígios da manhã clara no canto desesperançado dos pássaros.
as cores despertam empoeiradas, nenhuma janela se mantém fechada.
também nestes dias em que a grama cresce como os sonhos dos rochedos sedentos
eu pertenço aos poços profundos que não suplicam, águas que não dormem jamais.


[a 2ª versão um pouco modificada e com versos curtos]

um deus do tempo dissolvido em opacidades nos expulsa
das casas quando o vale tenta exercitar o verde

ao brotar da aurora pessoas caminham pelo leito seco dos rios,
no silêncio da chuva nenhum desafogo para as súplicas vãs.

seres diurnos avançam entre o burburinho das rezas
como se descessem pela claridade.

nada interroga a alvura

são mornos os vestígios da manhã
no canto sem esperança dos pássaros.
as cores despertam empoeiradas,
nenhuma janela se mantém fechada

também nestes dias em que o mato cresce enxuto
como os sonhos dos rochedos que ardem sedentos
eu pertenço à profundidade dos poços que não suplicam,

às águas livres que não dormem jamais.


Website:
http://pousio.blogspot.com

 
Sr,
Em época recente presenciei a seca neste meu sertão. Também, em época não muito recente, presenciei uma outra seca, a interna, tão cruel quanto. A beleza do seu poema me fez lembrar coisas que foram cruéis em minha vida, mas que foram muito mais brilhantes de tanta beleza. Agora, quando vou trabalhar, diminuo a velocidade do meu "possante" e vou curtindo as paisagens, que são lindas. Gostei muito de ler seu poema.
Saúde e paz. MF.

Milton Filho · Ribeirópolis (SE) · 28/7/2009 21:42
obrigada, milton. Na verdade, eu nunca vi uma seca. Escrevi do que 'vejo' na lembrança das reportagens e depoimentos. Ter conseguido passar uma - leve que seja - idéia do que de real se passa é bom, acredito que nós, os escritores, não devemos ficar calados ao que se passa à nossa volta: somos arautos do nosso tempo - queiramos ou não, temos essa responsabilidade.

bjs

sr · Rio de Janeiro (RJ) · 29/7/2009 15:12
Querida Sônia, só você pra me fazer sentir beleza na seca, ou no seu oposto desejado. Só você pra me descrever de forma tão límpida o abismo da solidão. Solidão contente. Solidão vicejante. Só você pra lembrar das águas desta forma tão plena de falta.
Parabéns pela beleza.
Parabéns pela sensibilidade, cada vez tão tocante.
Volto.
Abraços

Alexandre Eduardo Weiss · Rio de Janeiro (RJ) · 29/7/2009 17:51
Como sempre muito lindo. Voltarei para votar.

Paola Rhoden · Brasília (DF) · 29/7/2009 21:59
Alexandre, agradeço e fico contente com o que diz porque me alegra ter podido chegar ao seu coração, escrevendo direto do meu. Me vale por isso (ser tocante) , essa sensibilidade que me parece exacerbada - não é fácil conviver com ela, tudo toca potencializado.
Paola, poeta linda, obrigada! Fico feliz que tenha apreciado.

sr · Rio de Janeiro (RJ) · 30/7/2009 17:01
AOS AMIGOS DO PORTAL

Ainda em fase de edição, resolvi publicar as duas versões deste poema (só tinha publicado a 2a, que tem versos curtos e é ligeiramente diferente da 1a).

Ao Milton, Alexandre e Paola, as minhas desculpas, pois fizeram seus comentários anteriormente.

Para todos,
beijo meu.



sr · Rio de Janeiro (RJ) · 30/7/2009 17:08
Disparando a seta!

abraços muitos

Alexandre Eduardo Weiss · Rio de Janeiro (RJ) · 30/7/2009 21:11
Querida Sônia,
Ambas as versões estão muito boas.
A secura está na alma:
"eu pertenço à profundidade dos poços que não suplicam,"
Votado.
Beijos


Betusko · São Paulo (SP) · 31/7/2009 00:02
Bom dia Sônia.
A precisão poética de sempre nas duas versões.
Do chão árido nasce o poema.
E encanta...
Votado.

TõeRoberto · João Pessoa (PB) · 31/7/2009 07:48
Nasce no chão de fogo o espelho do sol inclemente, nasce nas carnes em brasas e nas almas secas de esperanças a realidade da seca da terra. Os homens não desistem e esperam o verde do amanhã. Que bom que temos um Deus que vai e volta com uma mão carregando flores. Que bom, Sonia, que você existe com seus belos poemas.
Beijos com ternura

Noélio A. de Mello · Belém (PA) · 31/7/2009 11:22
Sônia, mais uma vez brilhante. Versos fortes que nos fazem pintar um quadro em nossas mentes. Votadíssimo. Abs, César

César Birindelli · São Paulo (SP) · 31/7/2009 20:01
Um beijo sentido e grato!
É muito bom estar aqui com vocês; caminhar com escritores dessa qualidade me estimula e enriquece.
Obrigada.

sr · Rio de Janeiro (RJ) · 9/8/2009 20:29
Perfeito poema, Sônia. Sou praieiro. porém minha esposa é nativa do sertão aqui da Bahia, o qual é possuidor de uma cultura riquíssima.
Sugiro que, se houver interesse, pesquise os textos (músicas e poemas) de Elomar Figueira Melo. Um menestrel da cantoria "sertaneza", lá de Vitória da Conquista. Ele retrata o sertão como poucos na literarura brasileira.
Um abraço!!!


Jairo de Salinas · Salinas da Margarida (BA) · 24/8/2009 09:19
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