Autoria:sonia regina
Ficha Técnica:O poema seca, de sonia regina, tem 2 versões.
[a primeira versão, com versos longos]
um deus desmanchado em opacidades nos expulsa dos edifícios quando o vale tenta exercitar o verde.
ao brotar da aurora pessoas caminham pelo leito seco dos rios, no silêncio da chuva nenhum desafogo para as súplicas vãs.
seres diurnos avançam entre o burburinho das rezas como se descessem pela claridade.
nada interroga a alvura, são mornos os primeiros vestígios da manhã clara no canto desesperançado dos pássaros.
as cores despertam empoeiradas, nenhuma janela se mantém fechada.
também nestes dias em que a grama cresce como os sonhos dos rochedos sedentos
eu pertenço aos poços profundos que não suplicam, águas que não dormem jamais.
[a 2ª versão um pouco modificada e com versos curtos]
um deus do tempo dissolvido em opacidades nos expulsa
das casas quando o vale tenta exercitar o verde
ao brotar da aurora pessoas caminham pelo leito seco dos rios,
no silêncio da chuva nenhum desafogo para as súplicas vãs.
seres diurnos avançam entre o burburinho das rezas
como se descessem pela claridade.
nada interroga a alvura
são mornos os vestígios da manhã
no canto sem esperança dos pássaros.
as cores despertam empoeiradas,
nenhuma janela se mantém fechada
também nestes dias em que o mato cresce enxuto
como os sonhos dos rochedos que ardem sedentos
eu pertenço à profundidade dos poços que não suplicam,
às águas livres que não dormem jamais.
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