fio d'água
sonia regina
o olhar maravilhado parte da montanha
deixando aberto o abismo que nada revela de suas asperezas,
vertentes,
pendências.
basta um eco esvaziado de voz e o coração retorna ao azul silente do mar.
as águas doces ficam longe,
muito longe,
o mundo ainda mais...
mas resta amadurecido no mesmo sentido de um oceano que ferve
e gira, fio d'água;
na delicadeza da sombra abre-se nas impressões da cidade que riu das lágrimas.
cai o pólen nas ruas, o dourado reafirma o deslumbre da irrepreensível flor de julho,
despontam os ramos visivelmente enamorados da luz de inverno
e um pássaro gracioso caminha ao sol.
tags: Rio de Janeiro RJ literatura poetas-novos poesia-brasileira poema