Não sei em que verão contei teus passos
nem em qual inverno transpirei-te
Sei que, naquele tempo,
não era ilusão te limitar
Eu copiava teu deboche
ironizava ser fantoche
sorríamos, olhos abertos
brincando de pega-pega
Um dia, olhar fechado
pra dentro do umbigo
esquecemos de erguer a cerca
e saltitantes vagamos doidos
feito cavalos alazões na noite
entregues à sorte
Sem norte
nos encontramos no sul
ventos alísios riram dos cadeados abertos
que a chave das bocas sedentas abriu
Lá fora
o grilo da manhã também sorriu
da boca-armadilha
e do olhar-jure
amor eternizado
enquanto dure
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